Ciência, Cotidiano

FCMSCSP esclarece mitos e verdades sobre a dislexia

De acordo com estudos internacionais, a dislexia, distúrbio de herança genética que afeta o aprendizado da leitura e da escrita, afeta cerca de 4% da população mundial, estimada atualmente em 7,2 bilhões de pessoas. Durante a Semana Internacional da Dislexia, que ocorre entre 5 e 12 de outubro de 2016, a Dra. Ana Luiza Navas, da FCMSCSP, esclarece os principais mitos e verdades do distúrbio, que atinge crianças e adultos. Segundo a professora, em todas as fases da vida escolar e até profissional haverá necessidade de apoio especializado, adaptações educacionais, além do apoio de amigos e familiares.

Mesmo sem cura, as manifestações da dislexia podem ser minimizadas em qualquer idade e, diferentemente do que prega o senso comum, não ocorrem só na infância, mas também na vida adulta. É quando a pessoa deve encarar, além do distúrbio, o mercado de trabalho. “A dislexia é geralmente associada ao período da infância, quando começa o aprendizado da leitura e escrita. De fato, a alfabetização é um período de descobertas e é comum que, neste período, as crianças demonstrem os primeiros sintomas, principalmente a partir dos 8 anos de idade. No entanto, na vida adulta o disléxico enfrenta desafios em dobro. Um deles é superar as dificuldades impostas pelo distúrbio e os diversos obstáculos que o mercado de trabalho impõe”, comenta a Dra. Ana Navas.

Para que o adulto disléxico consiga tirar o melhor proveito da vida profissional, o tratamento deve ter início na infância, na manifestação dos primeiros sintomas, e deve contar com o apoio da família, professores e profissionais capacitados, como o fonoaudiólogo. “Em casa, é um erro comum os pais acharem que as crianças estão com preguiça ou fazendo ‘corpo mole’ quando apresentam dificuldades para ler ou escrever, e as deixam de castigo. Caso o filho apresente os primeiros sintomas, é importante que um profissional especializado, como o fonoaudiólogo, neuropediatra ou o neuropsicólogo faça os primeiros testes para verificar se há dislexia”, complementa.

“Nas salas de aula, a sensibilidade dos professores é muito importante. A falta dela pode levar a diagnósticos precipitados e até ao afastamento social de quem sofre com o distúrbio. Em países mais desenvolvidos, como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, tanto no Ensino Médio como no Ensino Superior, há programas especiais para alunos disléxicos. Lá eles podem gravar as aulas e ouvir o conteúdo novamente em casa, ter horários flexíveis e adaptações na grade de estudos. No Brasil, ainda temos um longo caminho a trilhar neste sentido”, pontua a professora.

“Com o disléxico, é importante que educadores utilizem métodos de ensino que equilibrem a quantidade de informação transmitida por escrito, com a possibilidade de gravação das aulas, para que o aluno possa ouvir novamente em casa, e uma ajuda mais visual, como mapas e gráficos, de assimilação mais fácil. É bom evitar que o aluno leia textos em voz alta nas salas de aula. Eles devem contar ainda com um tempo adicional para a elaboração de respostas em provas escritas, por exemplo”, finaliza.

Confira alguns mitos e verdades sobre a dislexia e como ajudar na identificação dos primeiros sintomas:

Dificuldade em aprender a ler e escrever na infância são sempre sinais de dislexia? Não, podem ser dificuldades passageiras, mas em alguns casos podem ser os primeiros sinais de dislexia. É preciso que os pais levem a criança até um especialista para a realização de diagnóstico preciso e, desta maneira, evitem que a criança sofra além do que já terá que enfrentar.

Disléxicos têm mais afinidade com a área das artes? Não é verdade. Há muitos artistas, atores e cantores que são disléxicos, porém não há comprovação científica. Em geral, por conta da dificuldade de expressão pela escrita ou leitura, eles optam pelas artes.

A dislexia afeta mais as crianças? Não é verdade. O adulto continua sendo disléxico. Não há cura. Ele aprende a lidar com a dificuldade. É por isso que quanto antes tiver início o tratamento e maior for o apoio de familiares, amigos e educadores, melhores serão as chances de um adulto disléxico ter bom desempenho acadêmico e vida profissional ativa.

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